Resgatar meninas da violência
Série III - PROGRAMA 1

Resgatar meninas da violência

Não conheciam direitos.
Não sabiam o que era viver numa habitação com casa de banho, água limpa ou uma cama para dormir.
Não sabiam o que era ir à escola.
Não podiam recusar-se a trabalhar para ajudar a família.
Não tinham como fugir à prostituição.
Não podiam defender-se dos homens que as violavam – nos mercados, nas ruas, nas suas tendas. De noite e de dia.

Hoje, essa realidade começa, aos poucos, a mudar.
Há um novo amanhecer para as meninas do Sudão do Sul: Chama-se Confident Children Out of Conflict (CCC). A ONG, criada pela ugandesa Cathy Groenendijk em 2007, quer dar confiança e auto-estima às crianças vulneráveis do mais jovem país do mundo.

A batalha de Cathy tem muitas frentes: É preciso apostar na educação, combater os abusos físicos e sexuais e mudar a mentalidade de quem tem o poder de decidir. Por isso, todas as manhãs Cathy procura as meninas apoiadas pela sua ONG nos bairros degradados de Juba. Esta é a única forma de garantir que os pais destas meninas não as proíbem de ir à escola para ficar a tomar conta dos irmãos mais novos ou a trabalhar nas ruas e mercados.

Num país onde a maioria da população vive no limiar da pobreza – com menos de um euro por dia – é comum que os pais vejam os filhos como uma fonte de rendimento e coloquem a educação fora das suas prioridades.

Resgatar estas meninas da rua é urgente para impedir que sejam violadas ou obrigadas a vender o seu corpo. Apesar de a prostituição ser crime no Sudão do Sul, aqui só as meninas são presas. Os homens que abusam dos seus frágeis corpos ficam sempre impunes. São “poderosos”: soldados, membros do governo, homens ricos.

As histórias e os relatos de violência testemunhados pelo "Príncipes do Nada" são chocantes. Mostram-nos que mais de 50 anos de atrocidades, divididos por duas guerras civis, ceifaram milhões de vidas. Provam-nos que vivemos num mundo ainda muito desajustado.

As metas do Milénio para atingir o ensino primário universal (2º Objectivo de Desenvolvimento do Milénio) e promover a igualdade de género e a capacitação das mulheres (3º ODM) até 2015 estão ainda muito aquém do estabelecido pelas Nações Unidas no ano 2000.

Contactos da CCC:
Email cathy.groenendijk@gmail.com
Website http://www.confidentchildren.org
Facebook http://www.facebook.com/#!/ConfidentChildren

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Vídeo
Fotografias:
  • São vítimas silenciosas e silenciadas. Nos bairros de Juba, capital do Sudão do Sul, as meninas são violadas aos cinco, seis anos. Aos dez, onze, doze anos já estão na prostituição. Soldados, membros do governo e homens ricos são os clientes. Por um “shot” - um orgasmo sem preservativo - pagam uma gorjeta miserável.
  • No bairro de Saint Mary, 800 pessoas tentam sobreviver em barracas construídas com materiais que encontram no lixo. Lado a lado com o bairro, existe um esgoto a céu aberto.
  • Às 6h da manhã, já há quem “cozinhe” álcool com restos de comida. Depois, este vinho caseiro é vendido como pequeno-almoço. A bebida é uma forma deste povo enganar a fome e sobreviver à pobreza.
  • Sem saneamento básico, as centenas de pessoas que vivem no bairro de Saint Mary fazem a sua comida e higiene com água do rio. Mas esta água, poluída, é a maior culpada pela morte e cegueira das crianças que aqui vivem.
  • A mãe desta criança tentou limpar-lhe os olhos com óleo de fritar. Por falta de educação, as mães sudanesas do Sul desconhecem que o óleo se torna um chamariz para as moscas e, por isso, um foco de mais infecções.
  • “Diz-se que quando se ensina uma mulher se está a ensinar uma nação. É por isso que nós temos os olhos postos no futuro das crianças do Sudão do Sul”, diz a directora de uma escola só para meninas em Juba.
  • 84% das raparigas no Sudão do Sul nunca se sentaram num banco de escola.
  • 92% das mulheres não sabe ler nem escrever.
  • A ugandesa Cathy Groenendijk fundou a ONG CCC com os lucros da sua casa de hóspedes em Juba. Um dia sonha também “cuidar” das meninas do seu próprio país.
  • “Uma rapariga perguntou-me: Como posso mudar este lugar tão terrível? Eu respondi-lhe para continuar a estudar e que tudo mudaria. Que o exemplo dela poderia mudar o seu país ”, conta Cathy.
  • “Há homens muito maus …. Violam crianças….Fazem-nos coisas más, especialmente no mercado”, partilha uma das jovens apoiadas pela ONG CCC.
  • No referendo para a independência, em Janeiro de 2011, 99% dos sudaneses do Sul votaram pela separação do Sudão. A independência foi declarada a 9 de Julho de 2011.
  • Um grupo de meninas apoiadas pela CCC no Sudão do Sul canta uma música onde é expressado o seu desejo de ir à escola.
  • Todas as manhãs, antes de irem para a escola, dezenas de crianças tomam banho nas instalações da ONG CCC. Depois, vestem o uniforme para ir para as aulas.
  • A CCC dá sempre o pequeno-almoço às crianças mais vulneráveis. A malnutrição é uma das principais causas de mortalidade infantil no país.
  • Fundada em 2007, a CCC apoia cerca de 400 meninas e jovens em situação de grande vulnerabilidade.
  • Apenas 7% dos professores tem formação para dar aulas, mas todos estão empenhadas na educação das novas gerações.
  • Nas escolas, além do árabe, é ensinado também o inglês, a nova língua oficial do país.
  • Muitas meninas, vítimas de abusos, acreditam que o seu corpo serve para servir os outros. Utilizam-no como fonte de alimento, por vezes para uma família inteira.
  • Esta menina tem três anos e foi deixada pela mãe à porta da CCC. Foi esta a maneira que encontrou de salvar a filha da miséria e prostituição.
  • Abandonado na rua pela mãe, o pequeno Moses foi adoptado pela CCC quando tinha apenas oito meses. Malnutrido, teve tuberculose e malária. Com poucas semanas de vida, o padrasto tentou sufocá-lo. Moses sobreviveu a tudo.