Braço-de-ferro com o VIH/sida
Série III - PROGRAMA 2

Braço-de-ferro com o VIH/sida

Foi há mais de dez anos.
Os irmãos deixaram de lhe falar.
Os que acreditava serem seus amigos abandonaram-na.
Os vizinhos apontaram-lhe o dedo discriminatório na rua.
Quando soube que era seropositiva, Dona Rosária também descobriu que o preconceito provoca dores insuportáveis.

Hoje, Dona Rosária orgulha-se de ter criado o primeiro centro de apoio às vítimas de sida no município de Matola, perto de Maputo, a capital moçambicana. “O que eu quero é juntar pessoas seropositivas, dizer não à descriminação e não ao estigma”, confessa esta moçambicana de 56 anos, que antes era modista.

A Associação de Amigos do GATV – Gabinete de Atendimento e Testagem Voluntária – nasceu debaixo de uma árvore e nunca mais parou de crescer. São muitos os que aqui procuram carinho, comida, medicação. Mas, aos que não podem vir até à associação, Dona Rosária leva apoio ao domicílio. Nos bairros de Kongolote e 1º de Maio, todos a conhecem. E é aqui que o vírus do VIH/sida nos mostra o rosto.

Daudinho é órfão desta doença. Tem apenas 8 anos, mas as pernas e as mãos estão gastas e ásperas. Sofre uma paralisia sem nome desde a nascença (por falta de diagnóstico até agora) que o impossibilita de caminhar.

Marta vive há mais de dez anos com o vírus do VIH/sida. Tem 28 anos. O seu corpo, frágil, denuncia o que ela não confessa. Não tem como se sustentar a si, nem ao filho. O marido abandonou-a.

A vovó Amélie também contraiu o vírus do VIH/sida. Não sabe a sua idade. Recusa-se a aceitar que é seropositiva.

Actualmente estima-se que, em Moçambique, 11,5% da população entre os 15 e os 49 anos é seropositiva. Os programas de prevenção continuam a ser insuficientes para combater o VIH/sida(6º Objectivo de Desenvolvimento do Milénio).

Contacto:
Dona Rosária: + 258 82 092 78 70

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Fotografias:
  • Quando soube que era seropositiva, Dona Rosária resolveu enfrentar o vírus do VIH/sida. Agora, orgulha-se da sua associação que combate preconceitos.
  • As crianças na rua chamam Dona Rosária de “titia” ou “mamã”. Sem ela dizem que estariam aqui “a sofrer”.
  • Estima-se que 11,5% da população moçambicana entre os 15 e os 49 anos é seropositiva. As mulheres mais jovens são as maiores vítimas.
  • Daudinho, órfão de sida, não consegue caminhar. Nasceu com uma paralisia, que até hoje não tem um nome. Precisa de um diagnóstico médico, mas a avó que cuida dele não tem meios para o ajudar.
  • O maior sonho de Daudinho era ir à escola como os outros meninos com quem brinca. Gostaria de ser “médico dos pequeninos”.
  • O senhor Sanção é o chefe de quarteirão do bairro. É ele que dá os alertas para que a Dona Rosária saiba quem mais necessita de apoio.
  • Apesar de ser uma mulher de grande fé, Dona Rosária diz-nos que nenhuma religião a impede de defender a prevenção contra o VIH/sida. Porque é preciso dizer: “Não, já chega ao VIH/sida!”
  • Marta tinha 15 anos quando descobriu que era seropositiva. Os anti-retrovirais provocam-lhe fome, mas não tem dinheiro para comprar comida.
  • A vovó Amélie toma os anti-retrovirais que Dona Rosária lhe dá, mas continua a tentar esconder que é seropositiva.
  • Para muitas crianças e idosos, a sopa distribuída pela associação da Dona Rosária é a única refeição do dia.
  • Cerca de 20% das crianças moçambicanas tem peso a menos para a sua idade.
  • Dona Rosária não entende como tantas famílias menosprezam e abandonam os seus idosos em Moçambique. Para ela, os mais velhos são como uma “biblioteca” e devem ser “respeitados”