Corações abraçados a Timor
Série II - PROGRAMA 8 - 2011

Corações abraçados a Timor

A chegada a Timor-Leste é marcada pela certeza de que vamos encontrar crianças, muitas crianças, mas também muita pobreza. 42% da população vive com menos de 50 cêntimos por dia e mesmo assim as famílias são numerosas, a maioria com mais de cinco filhos.

O jovem casal português Matilde e Duarte conduziram a nossa atenção até às crianças da Ludoteca Santo Inácio, em Díli, e ao trabalho desenvolvido pelo Gabinete de Microempresas do Centro Juvenil Padre António Vieira. O trabalho dos Leigos nas zonas rurais é fundamental porque leva às pessoas a possibilidade de viver um pouco melhor e contribuir para o desenvolvimento do país.

Matilde, de 28 anos, é voluntária: “O que nós fazemos é pouco, eu acho! A pessoa não muda o mundo… Faz um bocadinho. Mas eu acho que o pouco que eu possa saber de cada coisa, cá, já é muito… Porque há tanta falta de tanta coisa!”. Veio para Timor em missão, durante um ano, com o marido, Duarte, e mais duas jovens voluntárias portuguesas, Joana e Diana.

A organização não-governamental (ONG) Leigos para o Desenvolvimento chegou a Timor, em 2000, um ano após o referendo para a autodeterminação, com o objectivo de ajudar no recomeço do país. Com profundas fragilidades, a educação e o combate à pobreza estão na dianteira das prioridades.

A voluntária Diana, professora primária, está empenhada no grande desafio de educar as crianças para o futuro: “Tudo o que fazemos é com o sentido de formar e ajudar no que pudermos a população local. E acho que isso é o melhor que podemos dar!”.

Joana tem 26 anos, é arquitecta e desta experiência leva o desejo de um dia voltar para ajudar noutra prioridade: a reconstrução de Timor. Calcula-se que 70% das infra-estruturas tenham sido destruídas no período de transição do governo indonésio para o governo timorense.

O trabalho e a dedicação de muitos voluntários como a Matilde, o Duarte, a Joana e a Diana tem contribuído para que as crianças de Timor tenham a oportunidade de viver como todas as crianças do mundo merecem: Felizes!

A meta de garantir que todas as crianças, de ambos os sexos, terminem até 2015 um ciclo completo de ensino primário está longe de ser alcançada (2º Objectivo de Desenvolvimento do Milénio), em Timor-Leste. Apesar de todos os esforços, calcula-se que 25% das crianças em idade escolar não tem acesso a escolas e mais de metade da população adulta é analfabeta.


Contacto da ONG Leigos para o Desenvolvimento:
http://www.leigos.org/

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Fotografias:
  • Diana, Joana, Matilde e Duarte. Os quatro voluntários portugueses que, através da ONG Leigos para o Desenvolvimento, dão o seu contributo na educação das crianças timorenses e no projecto de Microcrédito junto da população mais vulnerável.
  • A Ludoteca Santo Inácio, em Díli, é pré-escola dos quatro aos cinco anos, no período da manhã. À tarde, serve de ATL, diariamente, a cerca de 40 crianças.
  • No dia da nossa visita, mais de 60 crianças viveram com grande alegria uma tarde na praia, graças ao transporte dos Leigos para o Desenvolvimento. A maioria dos pais timorenses não tem condições de proporcionar aos filhos momentos tão simples como este.
  • Timor-Leste é o país das crianças! Mais de metade da população tem idade inferior a 18 anos. A educação destas crianças, hoje, assume um papel preponderante para o futuro da nação.
  • Apesar de estar no caminho certo para melhorar o acesso à educação primária e promover a igualdade de género, Timor-Leste arrisca falhar a maioria dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, até 2015.
  • A caminho da praia, a jovem voluntária Joana partilhou: “Foram tão habituados a estarem sempre dependentes ou dos indonésios ou dos portugueses e a viver um bocadinho em função das regras deles, que se calhar precisam de começar a assimilar a própria forma de desenvolverem a educação.”
  • Os Leigos para o Desenvolvimento colaboram, desde 2004, com o Gabinete de Microempresas do Centro Juvenil Padre António Vieira. Há 188 famílias que recebem apoio na construção e manutenção dos seus pequenos negócios, através do microcrédito.
  • Nascer num dos países mais pobres do mundo determina o crescimento destas crianças, especialmente nas zonas rurais. Com falta de quase tudo, cuidam de si próprios enquanto os pais lutam pela sobrevivência da família.
  • Timor-Leste enfrenta graves problemas de analfabetismo, má nutrição, malária e tuberculose. Em 2007, 50% de todas as crianças tinham peso insuficiente.
  • Mais de 80% da população de Timor-Leste depende da actividade agrícola como principal fonte de rendimento. Contudo, a contribuição do sector agrícola para o PIB não petrolífero é de aproximadamente 30%, mostrando um baixo nível de produtividade.
  • Matilde numa das aulas de dança às crianças da Ludoteca Santo Inácio. A par da aprendizagem do português, aqui há espaço para brincar e trabalhar com um pouco mais de confiança no futuro.