Um caminho de amor
Série II - PROGRAMA 1 - 2010

Um caminho de amor

Não tem um pé, mas isso não a impede de continuar a sua caminhada para dar colo a todas as crianças órfãs de sida. A enfermeira Laura tem sempre um bocado de pão e um tecto para todos os que estão desamparados. Talvez, por isso, a sua casa nem tenha porta. Não é preciso. E a família – mãe e filhos – seguem-lhe o exemplo de generosidade. Sem recursos, mas com uma capacidade de dar extraordinária, a enfermeira Laura enfrenta todos obstáculos da mesma maneira que contorna, com as suas muletas, os caminhos de pedra de Tete, terra onde vive.

Em Moçambique, o flagelo do VIH/sida afecta uma percentagem bastante significativa da população e muitas crianças acabam por nascer com o vírus como consequência da transmissão vertical de mãe para filho. A desinformação é grande e as mulheres mães não sabem como proteger os seus filhos. Um problema que se agrava nas zonas do interior do país.

Consciente de que é preciso explicar o que é o VIH/sida, alertar para o uso do preservativo e prestar apoio médico a quem já contraiu o vírus, a enfermeira Laura está à frente da Associação Luz Vida, em Moatize. Foi em 2006 pela mão da sua irmã, que era seropositiva e acabaria por falecer pouco tempo depois, que esta organização nasceu.

No total, mais de 30 mulheres fazem parte da Associação Luz Vida. Quase sempre abandonadas pelos maridos e pela família, estas mulheres não lutam só contra o vírus. Enfrentam também o preconceito, o machismo e a ignorância de grande parte da sociedade moçambicana. Tentam sobreviver sozinhas (ou com os filhos a cargo), doentes e sem forças, sem comida ou qualquer fonte de rendimento.

Antónia é uma das mulheres da associação. Contraiu o vírus com o marido e acabou por o transmitir a dois dos seus filhos. Não sabia como defender-se. Agora, toma anti-retrovirais e explica aos seus descendentes como se devem proteger. É um exemplo para outras mulheres.

Apesar de todos os esforços, o vírus do VIH/sida continua a matar e deixa muitos órfãos. O orfanato ACOMA – Amar as Crianças Órfãs de Moçambique em África – é para onde vão todos os meninos e meninas, entre os 0 e os 15 anos, que se cruzam no caminho da enfermeira Laura. Construído com o apoio do governo, que se sensibilizou para a causa da enfermeira Laura, o orfanato está hoje nacionalizado.

A trabalhar desde 2001 para os Médicos Sem Fronteiras da Bélgica, no Hospital de Moatize, num projecto para combater o VIH/sida, a enfermeira Laura dá o seu contributo activo para que, até 2015, Moçambique consiga parar e começar a inverter a propagação do VIH/sida (6º Objectivo de Desenvolvimento do Milénio).
O caminho é longo, mas a enfermeira Laura não desiste.

Contacto
ONG TESE: 21 386 84 04

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Fotografias:
  • A enfermeira Laura acolhe em sua casa todas as crianças órfãs de sida que lhe pedem ajuda. Por vezes, chega mesmo a perder a conta ao número de crianças que pernoitam debaixo do seu tecto.
  • Foi um estilhaço do tempo da guerra que acabaria por levar a enfermeira Laura a perder o pé esquerdo.
  • A Dona Ema é a mãe da enfermeira Laura e segue o exemplo da filha, cuidando das crianças órfãs de sida.
  • Dona Ema acredita que foi Deus quem salvou a filha de morrer com a infecção que a levou a perder o pé. Agora cuida das crianças órfãs de sida como forma de agradecer a ajuda divina.
  • Uma das filhas da enfermeira Laura cuida de um bebé com poucos dias de vida que foi encontrado no lixo. Não se sabe o paradeiro da mãe.
  • A filha da enfermeira Laura garante que a mãe “tem paixão pelas crianças”.
  • A enfermeira Laura defende que, numa sociedade “machista” como a moçambicana, é urgente fazer a “sensibilização para o uso do preservativo”.
  • A enfermeira Laura está à frente da Associação Luz da Vida, onde dá acompanhamento a mães e crianças seropositivas.
  • Dona Antónia contraiu sida com o marido. Actualmente faz parte da Associação Luz da Vida e toma anti-retrovirais para combater a força do vírus. Tem dois filhos seropositivos.
  • A enfermeira Laura incentiva as mulheres da Associação Luz da Vida a fazer tratamento de anti-retrovirais: “Eu digo-lhes que sem muletas não me posso levantar e que elas sem medicamentos também não o poderão fazer.”
  • No orfanato ACOMA – Amar as Crianças Órfãs de Moçambique em África –, vivem mais de 60 crianças. Muitas delas são seropositivas em sequência da transmissão vertical do VIH/sida.
  • Doentes, sós, sem comida ou fonte de rendimento. Esta é a realidade das mulheres moçambicanas seropositivas.
  • A poligamia, ainda muito frequente em Moçambique, traz consequências dramáticas para a população deste país.