Saúde precisa-se
Série II - PROGRAMA 6 - 2011

Saúde precisa-se

Na Guiné-Bissau, o enfermeiro Bruno é o responsável por coordenar o projecto “Saúde em Acção” da Assistência Médica Internacional (AMI). Maria, médica, também faz parte da equipa da ONG portuguesa destacada para trabalhar neste país. Num pequeno consultório na cidade de Bolama, os dois jovens portugueses fazem consultas à comunidade local. Para muitos, a primeira da sua vida.

Conscientes de que o desenvolvimento sustentado desta região é uma prioridade, Bruno e Maria procuram ainda dar alguma formação médica aos profissionais de saúde locais e às matronas (em Portugal, parteiras). “É uma das principais apostas da AMI”, diz Bruno.

Mas, as dificuldades que estes jovens encontram na Guiné-Bissau são enormes. Muitas vezes a equipa da AMI não pode fazer mais do que auscultar os pacientes e recorrer a métodos como a apalpação. Os diagnósticos são, por isso, quase sempre feitos com alguma reserva. O país precisa de mais médicos, mais meios, mais medicamentos e mais informação.

Os números provam-no. A Guiné-Bissau tem uma elevada taxa de mortalidade materna e infantil. Aqui, a malária faz vítimas todos os dias. A tuberculose, na maioria das vezes associada à propagação do VIH-sida, também é uma ameaça à saúde de milhares de pessoas. A diarreia é muito comum nas crianças que, para além de mal nutridas, ficam ainda mais enfraquecidas.

Sensibilizar e mudar mentalidades, sem desrespeitar a cultura e os costumes de cada região, é outro dos desafios com que Bruno e Maria se deparam na sua missão na Guiné-Bissau. A cultura e os costumes podem salvar vidas quando estão ao serviço dos direitos humanos. “Ainda há muito o hábito do curandeiro”, desabafa o jovem enfermeiro. “Tentamos mostrar às populações que há outras formas de ver as doenças, que nem tudo é mau-olhado.”

Ainda longe das metas do Milénio, a Guiné-Bissau continua a precisar dos esforços de profissionais dedicados como o Bruno e a Maria para dar reduzir a mortalidade infantil (4º Objectivo de Desenvolvimento do Milénio), melhorar a saúde materna (5º ODM) e combater o VIH-sida, a Malária e outras doenças (6º ODM).

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Fotografias:
  • O difícil acesso à ilha de Bolama, com cerca de nove mil habitantes, é um obstáculo ao desenvolvimento da região.
  • Localizada na ilha homónima, Bolama foi a capital da antiga Guiné portuguesa até 1941. Hoje parece uma cidade-fantasma.
  • Bruno é o responsável do projecto “Saúde em Acção” da AMI na Guiné-Bissau.
  • A formação dos profissionais de saúde locais, chamados de Agentes de Saúde Base (ASB), para actuarem nas Unidades de Saúde Comunitárias é uma das prioridades da AMI. Muitos dos Agentes de Saúde Base são antigos curandeiros.
  • Bruno desabafa que os meios ao acesso da equipa portuguesa da AMI para fazer a despistagem de doenças em Bolama são insuficientes.
  • A Guiné-Bissau apresenta uma alta taxa de mortalidade materna e infantil.
  • Muitas crianças guineenses sofrem de malnutrição.
  • Por cada consulta é cobrado um valor mínimo aos pacientes. Mas, quem não tiver condições para pagar, não deixa de ser consultado pela equipa da AMI.
  • A equipa da AMI tenta reencaminhar os casos mais graves para o hospital de Bissau. No entanto, nem sempre as pessoas o conseguem fazer por falta de meios financeiros para pagar a deslocação por barco até Bissau.
  • A Guiné-Bissau é considerada uma das nações mais pobres do mundo, dependendo em grande parte de ajuda internacional. A instabilidade política é grande e o país tornou-se uma rota para o tráfico de drogas.
  • Segundo as Nações Unidas, a esperança média de vida dos homens é de 47 anos e das mulheres é 50.
  • Quando adoece, a população guineense ainda recorre muito aos curandeiros e feiticeiros. Bruno, da AMI, acredita que é necessário sensibilizar o povo para a importância dos cuidados de saúde.