Moçambique Série III

Moçambique Série III

Nesta 3ª série de “Príncipes do Nada” voltamos a visitar Moçambique através de histórias que retratam realidades diferentes, mas que têm em comum um mesmo objectivo: lutar contra as desigualdades sociais, a incidência do VIH/sida e a pobreza extrema.

Fomos ter com a D. Rosário ao bairro de Kongolote, Matola, e ficámos contagiados pela força desta senhora que, ao saber que era seropositiva, foi abandonada por grande parte da sua família, mas não baixou os braços e fundou, com escassos recursos, um centro de apoio aos doentes de VIH sida. Todos os dias começa do zero para ajudar mulheres, crianças e idosos.

Ao chegarmos a Manhiça, assistimos à forma organizada e eficaz de funcionamento do Centro Menino Jesus da Manhiça que acolhe meninas órfãs ou em situação de risco. Gerido pelas Irmãs Franciscanas de Maria Mãe de África e apoiado pela ONG portuguesa Tese, o centro precisa de mais espaço e de melhores condições para albergar as 42 crianças que aqui vivem. A Irmã Angelina foi a nossa inspiradora anfitriã.

Em Chimoio, fomos recebidos pela maravilhosa “menina” Nilsa. Uma portuguesa na casa dos 70 anos que, com a sua energia inesgotável, tem acolhido, ao longo dos tempos, no seu próprio lar, dezenas de meninas abandonadas, violentadas ou sem recursos. Tem sido mãe e avó ao proporcionar uma educação a estas meninas, algumas delas, hoje já professoras, advogadas, juízas. Sem a generosidade da D. Nilsa, nunca poderiam ter concretizado os seus sonhos de ajudar no desenvolvimento de Moçambique.

Na capital Moçambicana, Maputo, assistimos à entrega de instrumentos musicais oferecidos a duas escolas de música do país. Instrumentos recolhidos e concertados pela ONG Belga “Music Fund” que tem como parceira a Fundação Calouste Gulbenkian. Os instrumentos foram doados por diferentes países, inclusive Portugal. A recepção dos alunos e professores à chegada dos novos instrumentos (de todos os géneros) foi comovente. Um piano, por exemplo, atravessou a cidade numa camioneta enquanto o único afinador de pianos moçambicano o esperava ansiosamente...

Foi há cerca de 6 anos que visitámos o Parque Natural da Gorongosa e registámos o desejo de Greg Carr, um americano apaixonado por animais, de devolver a esta reserva natural, a fauna e a flora investindo muito da sua fortuna. Regressámos este ano ao Parque para ver como está a decorrer a concretização dos seus projectos e que impacto tem tido na vida das populações à volta. Na altura, a promessa de Carr foi de que as comunidades locais haveriam de ter melhores condições de vida, nomeadamente ao nível do acesso a serviços de educação e saúde. Confirmámos e partilhamos.

Catarina Furtado

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